Pernambuco – África, Bósnia – Berlim. Você pensava que conhecia Betânia.

Por Flávio Carvalho (@1flaviocarvalho), para a FIBRA.

Barcelona, 13 de abril de 2021.

Betânia Ramos Schröder é uma das principais lideranças da migração brasileira no mundo, entre tantas outras mulheres cada vez mais articuladas. Na hora de escrever sua apresentação, é fácil destacar o fato de ela ser colunista numa importantíssima revista como a Carta Capital. Isso seria maravilhoso (e já é!), se não fosse, por outro lado, um risco de reduzir a sua trajetória pessoal, acadêmica e política, recheada de outras extraordinárias “janelas abertas para o mundo”.

Nesta conversa, gravada para a Fibra entre Berlim e Barcelona, conhecemos melhor a pernambucana, de fortíssima ancestralidade que ajuda a dizer quem ela é e de onde ela veio. A socióloga inspiradora que se tornou voz de referência no pensamento decolonial, mulherismo africanista e na construção de uma sociologia diaspórica brasileira. De onde veio “tudo isso”? Se bem que o que mais nos importa, nesse momento, é saber pra onde Betânia vai. Melhor dizendo, até onde nós achamos que ela pode chegar.

Quem a conhece sabe que aqui não há exageros.

Betânia nos traz, neste vídeo, a atualidade do debate principal na sociedade brasileira (e – porque não dizer? – no mundo): a luta antirracista como um elemento central, estratégico, imprescindível. Fundamental e quantos mais sinônimos puderem ser mencionados. O antirracismo não como conceito etéreo, intangível, como um mero descarrego no inconsciente individual e coletivo, mas o sentido de práxis no enfrentamento ao principal problema político que representa a nova ascensão do fascismo. O Quilombo não somente como resposta e resistência histórica, mas como a base constitutiva dos Brasis que hoje temos.

Se por aqui foi construído, o que nos falta para admitir que esse seria o melhor caminho para desconstruir e recomeçar o nosso projeto de país? Aliás, qual o projeto de país a partir dessa constatação? Saber o que Não mais se quer, como primeiro passo para começar a pensar naquilo que, Sim, Queremos.

Como se o grito de Vidas Negras Importam (Black Live Matters) e o assassinato de Georges Floyd fosse um retrato inexaurível do nosso país, que muitos – de nós, na Esquerda inclusive (e disso falamos nesta conversa) – fizemos questão de não ver. Por quê? O pior cego é o que não quer ver.

Nossa divertida conversa – somente de felizes coincidências passaríamos horas falando – conta com a fantástica participação do dente caído do Antônio. Ficou curiosa? Assista.

Acesse o vídeo no Instagram da Fibra, aqui: